Rogério Costa Pereira @ 02:25

Sab, 04/02/12

Custe o que custar, nem que o povo passe fome
Custe o que custar, nem que o povo morra à fome
Custe o que custar, nem que os velhos estiquem de frio
Custe o que custar, os trapos que esperem sentados
Custe o que custar, que tudo tem um fim
Custe o que custar, os remédios são mezinhas do demo
Custe o que custar, que setenta anos são exagero
Custe o que custar, que a velhice é conceito estatístico
Custe o que custar, que a caducidade das gentes é coisa da essência  
Custe o que custar, que há vida para além da morte
Custe o que custar, nem que se incentive a mortandade
Custe o que custar, … e mesmo a infantil
Custe o que custar, que já se subsidiaram coisas piores
Custe o que custar, Deus inventou a doença
Custe o que custar, Deus inventou o cancro...
Custe o que custar, ...para alguma coisa foi
Custe o que custar, que as crianças não votam
Custe o que custar, que o apoio à maternidade sai caro
Custe o que custar, que os putos a chorar de fome não me desafiam em programas de rádio
Custe o que custar, que o leite é caro e o Estado tem tetas que vão lá pela cor
Custe o que custar, o reencontro
Custe o que custar, que Angola é nossa
Custe o que custar, que nós somos de Angola
Custe o que custar, rapidamente e em força…
Custe o que custar, … para Angola
Custe o que custar, que a iliteracia é subvalorizada
Custe o que custar, que quanto menos souberem menos refilam
Custe o que custar, que o serviço nacional de saúde é sobrevalorizado
Custe o que custar, que eu tenho um mandato da troika
Custe o que custar, que se a coisa der para o torto a troika arranja-me posto
Custe o que custar, assim ladram os cães
Custe o que custar, eu recruta deles sou
Custe o que custar, cada um por si
Custe o que custar, que vocês abusaram
Custe o que custar, que para evitar o choro de uma criança com fome…
Custe o que custar, … eu subsidio o algodão para os ouvidos
Custe o que custar, que eles já me tratam por tu
Custe o que custar, que a vossa vida é mesmo assim
Custe o que custar, que viver em Massamá é que é fodido
Custe o que custar, que o conceito de emprego só faz sentido se o desemprego existir
Custe o que custar, que em Espanha um quarto deles não o tem
Custe o que custar, vejam o custe o que custar atrás e abandalhem-se por felizes
Custe o que custar, hei-de lá chegar
Custe o que custar, eu hei-de pôr-vos na linha
Custe o que custar, nem que nada reste
Custe o que custar, desapareçam
Custe o que custar, que vou à frente nas sondagens
Custe o que custar, que o Estado sou eu
Custe o que custar, que o argumento do gaspar assim o dita
Custe o que custar, que o relvas assim mo manda dizer
Custe o que custar, que se foda o povo
Custe o que custar, que se fodam os bebés
Custe o que custar, quem vos manda parir?
Custe o que custar, quem vos manda foder?
Custe o que custar, que se fodam os velhos
Custe o que custar, que se foda a juventude
Custe o que custar, que se foda a classe média
Custe o que custar, que se fodam os pobres que já o eram
Custe o que custar, que se fodam os pobres que o passaram a ser
Custe o que custar, que vocês ocupam espaço germânico
Custe o que custar, eu hei-de pôr esta porra na ordem
Custe o que custar, faz-se já uma lei
Custe o que custar, nem que ponha os mortos a votar
Custe o que custar, que vocês são a névoa que me impede o horizonte
Custe o que custar, eu sou o poder
Custe o que custar, eu sou a oposição
Custe o que custar, quem caralho é o Pedro Rosa Mendes?
Custe o que custar, a pide foi tão maltratada
Custe o que custar, a António Maria Cardoso ainda existe
Custe o que custar, a censura é uma questão de higiene
Custe o que custar, a democracia é démodé
Custe o que custar, a liberdade é um flato
Custe o que custar, vocês são números
Custe o que custar, eu estou a gostar disto
Custe o que custar, sois a minha a montanha-russa
Custe o que custar, não fui eu que me escolhi
Custe-Vos o que Vos custar, Vocês é que Me Elegeram
Custe o que custar, que o povo cheira mal

Custe o que custar, après moi le déluge



... partiu o espelho.