Rogério Costa Pereira @ 01:35

Qui, 03/11/11

Mandaram-no entrar. Que se sentasse, disseram, ignorando-lhe a mão que havia estendido em cumprimento. Sentou-se. Ele deu-lhe um copo com água e dois comprimidos, um azul e um amarelo. Ela ordenou-lhes que os tomasse. Os comprimidos!, com a água! O Grego resistiu; nem pensar, disse. Demokratía, no pills! Sentiu uma outra presença na sala. Atrás de si. Soube sem virar; era ela. A mulher-Lagarto abriu a boca e todos os vidros se partiram. Em menos de um fósforo, já os comprimidos iam goela abaixo. A seco. Acordou com o coração a caminho de outro mundo. Agarrou-o a tempo e acendeu a luz. Bebeu água. Havia sido só um pesadelo. Só um sonho mau, pensou, mesmo apesar do ataque de tosse que lhe fazia subir algo dos pulmões em chamas. Levou a mão à boca e puxou, puxou, puxou. E outra vez. Liberto, olhou aquilo com medo e repulsa e atirou-o para o lado. Pegou no telefone. Stop Demokratía!, Stop Demokratía!, gritou antes de desmaiar. A um palmo do seu nariz, ainda molhada das entranhas do grego, jazia uma madeixa de cabelo branco platinado.



... partiu o espelho.