Rogério Costa Pereira @ 23:54

Sex, 26/08/11

Sempre branca de corada. Em menos de dez minutos, soltou e prendeu o cabelo perto de uma centena de vezes e à roda do mesmo em maneiras e feitios. Quando liberto ao vento que não soprava, a cabeça caia-lhe para a frente e depois para trás. Com força. Com demasiada força. Não como se vê nos anúncios a champôs. Teria 20 anos. Talvez 16. Trikinou, bikinou e trikinou de novo. Vezes sem conta. Não monokinou. Mexeu na carteira de ir ao pêssego que destoava no areal, abriu-a e fechou-a. Vezes sem conta. Fechou-a fechada, abriu-a aberta. Quando sincronizada, enfiava uma mão lá dentro. A outra usava-a em concha para esconder o riso que sabia feio. O que lhe havia de acontecer, pensou como pôde. E a cabeça doía-lhe, do hábito que não tinha. Encostou a boca aos ouvidos das amigas, como quem diz coisas; levantou-se e sentou-se e levantou-se de novo. Vezes sem conta. Até à náusea. Sempre com um ar de tédio excessivamente simulado. Procurava-o; assim que o encontrava desfocava os olhos em direcção ao horizonte que todos temos além de nós. Quando se foi embora, as pernas quase lhe fugiram. Um quase que um dia há-de maldizer. Contrariou-as e seguiu as amigas. Parte dela. A pequena e roliça inglesa não voltará a ser a mesma. Daqui a 20, 30, 40 anos ainda pensará naquele nadador salvador. O seu primeiro amor. As fracas pernas a que desobedeceu e que lhe podiam ter mudado a vida. E em como tudo começou e acabou. Um dedo atrevido que ainda hoje lhe percorre o braço. Um papel amarrotado atirado para a toalha de praia. How dru iu dru, draling?



... partiu o espelho.