Rogério Costa Pereira @ 00:25

Sex, 21/10/11

Podeis ir todos para a puta que vos pariu. É que, no meu mundo, nenhuma morte se celebra. A gente do meu mundo, a minha gente, não se congratula assim, publicamente, com a morte de quem quer que seja, por mais detestável que essa pessoa seja. Por mais mortes que essa pessoa tenha causado. A morte às patadas da molhada, então, não se celebra de todo. Se hoje voltamos a celebrar as mortes, o próximo passo talvez seja reivindicar a respectiva autoria.

"O que é que estão a fazer ao senhor, papá?"

Sois uma vergonha. Sois uma quadrilha. Em suma, podeis ir todos para a puta que vos pariu. Não sei se fui suficientemente claro. Às vezes, quando estou assim, calmo, tendo a não ser tão claro quanto devia. Mais uma coisinha: nada que se quer bom pode ter tão brutal começo. Não está aberto o caminho para coisa nenhuma, a não ser para algo como um clone do morto. E vai começar tudo de novo. Já depois de amanhã, com vexas a lamberem-lhe o petróleo que lhe escorre do rabinho. Depois de amanhã, sim, porque amanhã ainda é cedo para o novo fantoche vos morder os calcanhares. Tudo se resume a isso, afinal. Ao mijo de deus. Ao petróleo. Com esta morte, está aberto o caminho para uma nova era, sim, como dizem vocês ao povinho. Cientes, porém, que essa nova era não passa nem pela cidadania nem, obviamente, por nenhum verdadeiro processo democrático. Será mais do mesmo. Ao povo líbio foi recusado o primeiro acto de cidadania, de verdadeira liberdade, que era poder dar a este homem um julgamento justo. Aquilo que ele nunca deu a ninguém, o povo dar-lhe-ia. Essa sim, seria a nova Líbia que tanto anunciais. Como raio podiam ter vexas impedido isto? Não insultem a minha inteligência, por favor. Foram vexas que proporcionaram isto. E tudo por causa de uma anterior experiência que não vos agradou lá muito. Em suma, e não sei se me repito, podeis ir todos para a puta que vos pariu!



... partiu o espelho.