Rogério Costa Pereira @ 02:50

Dom, 10/10/10

 

Estiveste rabugento hoje. O olho tapado não ajuda, as noites mal-dormidas espoletam o mau-humor. Deste aniversário não terás muitas recordações em forma de foto. A luz do flash incomoda-te. Ainda assim, riste-te quando brinquei contigo e imitei o teu olho tapado. És um puto porreiro, com sentido de humor. Entraste-nos na vida como quem entra numa paródia. E és agora o palhaço-mor. Poucos dias antes de te magoares, levei-te ao colégio. A professora estava à porta da sala, a recomendar aos pais uns livros que diziam "3 e 4 anos" na capa. Asseveraram-nos que a parte dos números seria lá mais para o fim do ano, que "eles ainda são muito pequeninos". Ainda ensaiei um "mas ele já ...". Ia dizer das letras e dos números, que conheces há bem mais de um ano, ia dizer que começas a querer juntar letras sem que te incentivemos para isso, mas percebi que, naquele espaço, isso era segredo teu. Olhei para ti, que tinhas vindo a contar os carros que passaram por nós até chegar à escolinha. 1-2-3-4...17. Resolvi calar-me. Deste-me dez beijinhos de saudade e foste brincar com os teus amigos, ansioso por colocar o teu nome na cara vermelha de boca triste, espécie de castigo para os meninos que se portam mal. Estás crescer demasiado depressa, percebes o que te devia ser secreto. No entanto, e por isso não me preocupo, preenches os espaços diferentes sendo diferente em cada um deles, espécie de bom-camaleão em forma de metro de gente. O que num adulto poderia ser doblez, na criança que és (e serás por muitos mais anos) é saber-estar. Parabéns, meu amor. Pelo teu terceiro aniversário e por seres como és.



... partiu o espelho.