Rogério Costa Pereira @ 00:38

Seg, 19/07/10

Depois de uma temporada como comentador do saudoso BdE (ter sido comentador daquele blogue, do José Mário Silva, do Tcher e do Filipe Moura, é uma referência), isto em inícios de 2004, inventámos o afixe (o blogue da minha vida), que viveu entre Abril de 2004 e Janeiro de 2006 (na altura, a guerra era com o Abrupto, um blogue que hoje se dedica a bancos de jardim). A seguir veio o devagares que durou meia-dúzia de meses. Entre Setembro de 2006 e (se bem me lembro, que o o raio do blogue tem os arquivos todos marados) o final desse ano, fiz parte do Aspirina B. Pausei uns meses e, não sei bem quando, voltei com o bada bing!, cuja frequência foi assaltada. Em Março de 2008, fui convidado (a realidade alucinada diz que eu cheguei a implorar, já não me recordo se me ajoelhei) para o cinco dias, um blogue onde felizmente já não consto dos arquivos). Em 17 de Outubro de 2008, encontrei-me com esta gente boa. No entretanto, e até agora à laia de arquivo, criei, em Janeiro de 2010, o homem-garnisé..., o meu primeiro blogue a solo.

Actualmente, são estes os blogues que leio com prazer (blogues não-bélicos – ele há disso –, os que mais se afastam do ser-blogue nos tempos que correm): umblogsobrekleist, quem não acompanha a saga "Leituras em Lugares Públicos" não anda cá a fazer nada, Horas Extraordinárias, um blogue novo, se nos limitarmos ao tempo somado, gravidade intermédia, devia haver uma lei que obrigasse o besugo a escrever mais vezes, e A Causa Foi Modificada, dum idiota a quem aturo tudo, desde os posts com prazo de validade ao mau gosto de ter substituído o template mais horrível da blogosfera portuguesa (a verdade é que o tipo, com três pretos tomates gramaticais, pontapeia a língua portuguesa como ninguém).

Passados estes 6 anos (em tempo terreno equivalem a um filho e um neto e um bisneto a caminho), o blogue dos blogues, o melhor de todos, foi – e, venha o que vier, há-de ser –, de longe, este. As Ruínas Circulares, do João Pedro da Costa (que chegou a fazer parte do Afixe), verdade seja dita, não deviam integrar este meu ranking, dado que o autor era um extraterrestre.

Neste post, com mais links que palavras, falta-me falar do meu quando-for-grande-quero-ser-como-tu, com quem a iliteracia já me confundiu e honrou (digamos que eu estou para o Valupi como o futuro Nobel José António Saraiva está para o António José Saraiva) – só não o coloco à frente das Ruínas Circulares porque este post é dedicado a blogues e o Valupi é mais do que isso, trata-se dum gajo que pontapeia os animais que nos sujam os passeios, que escarra de alto nos dâmasos da vida (é por isso que não falo do Valupi uma única vez neste post, como podem reparar).

Resta-me falar dos amigos que por aqui ganhei: o João Paulo Pedrosa, dois metros de comprido e muitos mais de coração, a Isabel Moreira, a minha verdade alternativa, a Fernanda Câncio, com quem aprendi duas vidas, a Ana Matos Pires, a generosidade em forma de mulher, o João Cóias, comigo em todas as guerras, a Laura Abreu Cravo e o João Galamba, se Julieta e Romeu fossem hoje seriam assim, e a Alexandra Tavares-Teles, o meu grilo-falante.

Por causa dos blogues também perdi um amigo que não quero recuperar, porque há coisas que mais vale deixar estar. Falo do António (e só o nomeio para evitar confusões com dejectos moldados em forma de gente), alma com quem partilhei mais de meia vida de aventuras e desventuras.

PS - Quase me esquecia (é tarde e estou cansado!) de três pessoas sem as quais a minha bloga teria sido menos agradável: o Paulo Querido (a paciência em pessoa), a Jonas (a paciência em pessoa) e a Lucy Pepper (a paciência em pessoa, cujos quadros roubados no último segundo daquele leilão do ebay ainda ilustram a minha sala).

No meio disto tudo (durante isto tudo!), esteve e estará sempre a minha vida. E aquele outro ser que de nós veio, que saltita e me chama papá.



... partiu o espelho.